Relacionamento

Elas contam: como foi meu relacionamento abusivo

3 de setembro de 2019
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Elas contam: como foi meu relacionamento abusivo

Precisamos conversar sobre relacionamento abusivo. Eles são muito mais comuns do que imaginamos e tem consequências seríssimas na vida das pessoas que passam por um.

Quando falamos em abuso, logo pensamos em situações de violência física. Mas não é bem assim: ele pode vir de várias formas, seja físico, sexual, psicológico ou até mesmo financeiro.

Portanto, consideramos um relacionamento abusivo quando uma das pessoas exerce poder excessivo sobre a outra.

Existem padrões num relacionamento abusivo

O relacionamento abusivo também é conhecido por possuir alguns padrões: no começo tudo é muito bom e pessoa parece perfeita para você. Com o passar do tempo, os primeiros indícios de controle aparecem de forma sutil e, aos poucos, vão ficando cada vez mais explícitos e intensos.

Há quem compare essa situação com uma teia de aranha, que vai te envolvendo aos poucos até te dominar completamente. Então é bom se atentar para os vários sinais de um relacionamento abusivo. Se reconhecer alguns deles na sua relação, fuja o quanto antes.

É importante lembrar que ele pode acontecer entre qualquer casal, mas é muito mais comum entre casais heterossexuais, sendo que as mulheres são a grande maioria das vítimas nessas relações, enquanto os homens geralmente se encontram na posição de abusador.

Também temos que ressaltar que, além de serem o grupo que mais sofre esses relacionamentos, as mulheres sofrem consequências muito mais fatais. Como exemplo, podemos citar os altos índices de feminicídio no Brasil.

Depoimentos reais

Conversamos com algumas mulheres sobre o assunto e o resultado foi assustador: todas elas já tinham vivido namoros abusivos ou alguma situação de abuso. Vamos relatar aqui alguns depoimentos de forma anônima:

“Vivi 6 anos num relacionamento abusivo. Eu tinha que deixar de viver a minha vida para viver a dele 24 horas por dia. Ele não me deixava sair com as minhas amigas, mas achava que tudo bem se ele fosse sozinho pra balada.”

“No início era tudo muito perfeito, mas depois de algum tempo as discussões se tornaram constantes e ele sempre colocava a culpa dessas brigas em mim, eu me sentia muito mal. Foi difícil identificar que eu estava em um relacionamento abusivo.”

“No começo, era tudo uma maravilha. Eu achava fofo os ciúmes e que parar de sair com meus amigos fazia parte do pacote. Logo depois, ele viajou para fora do país e eu não podia ficar 1 minuto sem respondê-lo. Ele dizia que não confiava em mim quando ficava sozinha em casa e tudo que eu postava em rede social era motivo de traição. Quando ele voltou, a possessividade ficou estampada. Eu não podia ver meus amigos, não podia trocar mensagens e, pra ele, a única rotina possível era “minha casa-casa dele.”

“O meu relacionamento abusivo durou 2 anos. Começou com aquele: “seus amigos não te querem bem, só eu sei o que você quer mesmo”. E terminou com eu não podendo sair, ele controlando o que eu comia, as roupas que usava, como eu me portava.”

“Ele me fazia pensar que qualquer coisa mais “ousada” que eu fizesse seria motivo para terminar comigo. Isso fazia eu me sentir pressionada. Quando me dei conta, eu dei um basta…  Infelizmente, já vi alguns casos de relacionamento abusivo dentro da minha própria família, incluindo um caso de feminícidio. A sensação de ver algo assim e não ter o controle da situação, mesmo agindo para alertar sobre, é de impotência.”

Pra fechar

Podemos perceber vários padrões de comportamento nesses depoimentos. E, como já falamos anteriormente, também há um padrão claro de vítima e abusador. Isso nos faz concluir que o grande foco do problema é mais social do que individual, e ele se chama machismo.

Cabe a todos, mas principalmente aos homens, nos conscientizarmos dessas atitudes que se repetem por séculos e buscar alternativas para quebrar tais padrões.

E, claro, é importante ficarmos mais atentos aos relacionamentos ao nosso redor para ajudarmos quem não percebe que está numa relação abusiva ou não consegue sair de uma. Se alguém precisa de ajuda, é pra meter a colher sim.

Se você é mulher e está passando por um relacionamento abusivo, saiba que há muitas pessoas que querem e podem te ajudar. Não tenha medo fazer uma denúncia pelo telefone através da Central de Atendimento à Mulher, ela é confidencial e gratuita. Ligue 180.

One Comment
  1. Avatar

    Anônima

    Vivi um relacionamento abusivo por 3 anos, tínhamos o mesmo grupo de amigos antes de tudo começar, aos poucos ele me dominou e era como se fosse meu dono, fazia eu me sentir culpada se não fazia algo que ele queria, me obrigava a fazer sexo oral e se eu não fazia também me culpava, enquanto ele ficava e começava a namorar outras mulheres estando comigo se eu falava com algum amigo nosso ele se estressava, começava a gritar e me humilhar, na frente de todo mundo, uma vez ele deixou meu braço marcado por apertar demais pois respondi o amigo dele e estava conversando. Um dia ele falou para um amigo dele que queria me matar pois me distanciei, por sorte, o amigo dele me contou, no dia seguinte ele veio de madrugada na frente da minha casa, falou que ia fazer intercâmbio e que se mudaria em algumas horas e que queria um beijo de despedida e pediu para eu descer e dar uma volta com ele pela quadra, no carro dele, ele estava bêbado. Eu não fui. Evito ele ao máximo hoje em dia e resolvi agora compartilhar minha história de um relacionamento abusivo.

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